Saúde mental ainda é um tabu? Entenda os motivos.

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Saúde mental ainda é um tabu? Entenda os motivos.


O estigma relacionado à saúde mental é inegável. Como sociedade, obtivemos grandes avanços na ciência e na cultura. Apesar disso, ainda não dá pra afirmar que não existe desentendimento, preconceito e até violência contra pessoas que convivem com alguma questão de saúde mental. A verdade é que a saúde mental ainda é um tabu.

A saúde mental na história


Há milênios que pessoas que sofrem de transtornos mentais vem sofrendo preconceitos e tratados de maneira terrível. Pessoas com depressão, autismo, esquizofrenia e outras doenças não eram melhor que criminosos, e muitas vezes eram aprisionadas, torturadas ou até mortas. Desde séculos atrás e até hoje a saúde mental é um tabu.


Na Idade Média, doenças mentais eram encaradas como punição divina, e aqueles que sofriam com elas estariam possuídas pelo demônio, e poderiam ser queimadas ou presas em manicômios e amarradas com correntes. Somente durante o período de iluminismo essa visão começou a mudar e instituições foram criadas para ajudar aqueles que sofrem com esse tipo de doença.


O ponto é que nunca houve uma cultura na qual pessoas com transtornos de saúde mental foram percebidas socialmente exatamente da mesma maneira que pessoas que não tem. Uma pesquisa com pessoas de 27 países apontou que quase 50% das pessoas com esquizofrenia reportaram que foram discriminadas em relações pessoais. Até ⅔ delas anteciparam que sofreriam discriminação ao aplicar para um trabalho ou em uma relação íntima.


E atualmente?


Esse não é um problema histórico que foi superado. Até os dias atuais, apesar de todas as melhorias, ainda existe um tabu enorme rodeando o tema de saúde mental. Um estudo recente aponta que as pessoas estão mais receosas de revelarem que têm doenças mentais do que se revelarem abertamente gays. É também mais difícil admitir ter uma doença mental do que declarar falência, por exemplo. Ou seja, dá pra afirmar com bastante certeza que saúde mental ainda é um tabu.


O problema com relação à saúde mental, portanto, não é simplesmente o aumento do número dos casos ao redor do mundo. A crise do bem-estar psíquico também está intimamente relacionada ao fato de que menos da metade das pessoas que são afetadas se sentem confiantes para falarem abertamente sobre suas questões. Isso, claro, torna os problemas ainda mais graves.

Outro estudo descobriu que no Reino Unido, 15 milhões de dias de folga pro doença em 2013 foram causados por condições como estresse, ansiedade e depressão. Foi um aumento dramático em relação a 2010, em que esse número era por volta de 12 milhões. Dois quintos das organizações alegam que viram um aumento nas questões de saúde mental no último ano, frente a apenas um quinto em 2009.


Da onde vem?

 
Qual exatamente é a raiz do tabu sobre saúde mental? É claro que existe uma conjunção de fatores, mas é possível levantar algumas hipóteses que nos levam a não falar propriamente sobre o assunto.

  • Medo de repercussão negativa
  • Vergonha por conta do estigma negativo que existe
  • Preocupação que seja visto como sinal de fraqueza
  • Medo que afete a reputação ou carreira
  • Dificuldade de aceitar o problema em si mesmo


É provável que você esteja trabalhando com alguém que esteja sofrendo com alguma questão de saúde mental – e os números brasileiros sugerem fortemente isso. Mesmo assim, é também provável que a pessoa não discuta abertamente a questão, ou até mesmo esconda totalmente. Nós já indicamos como lidar com questões de saúde mental no trabalho, mas, de um jeito mais abrangente, quais as perspectivas para melhorarmos o tabu relacionado a essas questões?


E o que podemos fazer?


Patrick Corrigan, especialista em saúde mental e estigma, pesquisou três abordagens para melhorar o estigma e permitir uma melhor relação com o diálogo de saúde mental. As abordagens são: educação, protesto e contato.


Os resultados achados pelo pesquisador, que é professor no Illinois Institute of Technology, foram que educação fornecia algum resultado – e protestos não apresentam eficácia. O que realmente faz a diferença, de acordo com Corrigan, é contato.


Basicamente, quando uma pessoa conhece outra que apresenta questões de saúde mental – e está ciente disso -, então essa pessoa se torna menos estigmatizada.


Para além disso, atitudes que podem ser aplicadas no dia-a-dia são eficazes para não só diminuir o impacto, mas melhorar a qualidade de vida daqueles ao seu redor que podem sofrer com esse tipo de problema.

  • 1. Discutir saúde mental abertamente

Isso envolve falar sobre todos os aspectos de saúde mental. Debater sem preconceitos, com disposição para ouvir, mas principalmente não evitar o assunto. O objetivo é normalizar essas questões: assim como alguém que vai ao médico não tem vergonha de falar, quem vai ver um terapeuta também não precisa ter.

  • 2. Se educar e educar os outros

Estar constantemente lendo sobre o assunto e buscando novas informações é essencial. Por conta do tabu ao redor de saúde mental, ainda existe muita desinformação e conhecimentos falsos sobre o assunto. Procurar entender realmente o que fazer e o que não fazer é necessário para combater o estigma.

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