Acho que um colega no trabalho tem depressão… E agora?

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Acho que um colega no trabalho tem depressão… E agora?

De maneira geral, nós passamos grande parte da nossa vida no ambiente de trabalho. Independente da função que cada pessoa exerce, muita das nossas interações com outras pessoas se dão no âmbito profissional. Mesmo assim, quando se fala em saúde mental, a importância que é dada para a discussão sobre bem estar dentro do trabalho ainda é muito pequena. 


Os números, porém, estão longe de pequenos. É estimado pela OMS que os transtornos mentais geram uma perda econômica de 1 trilhão de dólares anualmente. Só nos Estados Unidos, o CDC estima que mais de 200 milhões de dias de trabalho são perdidos por causa de depressão.  Além disso, uma em cada cinco pessoas no local de trabalho lida com algum tipo de condição de saúde mental


No Brasil, esse número é ainda mais impressionante. Nove em cada dez brasileiros no mercado de trabalho apresentam algum sintoma de ansiedade, seja de nível mais leve ou mais agravado. Além disso, 47% convive com algum grau de depressão.


No nosso país, os transtornos mentais são a segunda maior causa de licenças de saúde para servidores públicos municipais, o que pode servir de indicativo para toda a força de trabalho. Fora isso, são a terceira maior de concessão do benefício previdenciário por incapacidade no Brasil.


Mesmo assim, ainda existe muitas dúvidas sobre a saúde mental, especialmente dentro do ambiente de trabalho. A maior parte das empresas ainda não tem um protocolo claro a respeito do bem estar psíquico dos colaboradores. E do ponto de vista interpessoal, poucas pessoas sabem exatamente o que fazer em casos de transtornos de saúde mental.


Um colega de trabalho está agindo de forma diferente…


O primeiro passo para colaborar com a saúde mental das pessoas da empresa é conseguir reconhecer o que está acontecendo.


Um diagnóstico definitivo só poderá ser dado por um profissional da saúde mental depois de um acompanhamento apropriado.


Mesmo assim, existem sinais de alerta que podem servir de aviso que algo que está errado com a pessoa. 

  • Mudanças bruscas no padrão de comportamento, como humor alterado, isolamento social, apatia, agitação, etc.
  • Faltas frequentes e atrasos
  • Hostilidade e irritabilidade sem motivo aparente
  • Dificuldade de se concentrar e tomar decisões
  • Esquecimento frequente de instruções ou procedimentos
  • Abuso de substâncias como álcool
  • Mudança brusca no padrão de alimentação
  • Verbalizações sobre a falta de sentido da vida e ideias suicidas


Esses são alguns sinais que podem indicar que algo está errado com a pessoa. De maneira geral, é importante notar se a pessoa está apresentando um comportamento muito diferente do que era de costume.


Não julgue e nem faça diagnósticos!


Mesmo depois de notar essas mudanças de comportamento, é importante não pular para conclusões drásticas. A maioria das pessoas não possuem ferramentas e estudo o suficiente para realizarem um diagnóstico.


Só porque alguém está demonstrando alguns dos sinais, isso não significa necessariamente que é uma doença relacionada à saúde mental. Além disso, por conta do estigma relacionado à saúde mental, muitas vezes esses rótulos podem alienar a pessoa. Lembre-se: você não sabe o que está acontecendo na vida de um colega.


Eu percebi os sinais… e agora?


Caso você tenha reparado que alguém do seu ambiente de trabalho está apresentando alguns desses comportamentos, existem algumas maneiras de abordar o problema. O jeito mais simples é simplesmente perguntar duas vezes. Essa estratégia consiste em não simplesmente perguntar “tudo bem?” e se contentar com a resposta educada. A ideia é perguntar mais uma vez, de maneira diferente, para checar se a resposta foi honesta e possivelmente iniciar um diálogo mais franco. O ideal é formular perguntas do tipo: “você está bem mesmo?”, ” tem algo te preocupando?”; ou até observando algum comportamento: “tem certeza? você está parecendo avoado nos últimos tempos”.


Se você decidir usar essa estratégia, faça com responsabilidade. Leve a sério a resposta que você receber, e não pergunte simplesmente por educação. Escute e reflita sobre o que a pessoa te falar, e faça perguntas para incentivar que ela te conte. Ao mesmo tempo, não tente resolver o problema. Esse não é o ponto. Agora é o momento de gerar uma abertura e deixar a outra pessoa se comunicar e sentir confiança. 


Pratique sua empatia e escute com atenção o que a outra pessoa está te falando. Lembre-se: não é sobre você. Tome cuidado para não tornar a conversa sobre as suas questões e impedir que a outra pessoa se expresse.


Saiba os limites da sua relação. Mesmo se você suspeitar que seu colega ou sua colega esteja com questões de ansiedade, depressão ou alguma outra, sempre reflita se você é a pessoa certa para dizer alguma coisa. Não force a outra pessoa a nada, respeite o espaço dela. O ideal é estender a mão e demonstrar que está ali caso ela queira conversar, mas não pressionar e acabar acuando a pessoa.


Além disso, um bom auxílio pode ser também ajudar a pessoa a descobrir serviços que possam auxiliá-la nessa situação. Contar sobre os recursos que a empresa pode oferecer, ou serviços de ajuda como os CAPS, também é uma maneira de auxiliar.


Cuidado com as palavras


Algumas práticas podem parecer inofensivas, mas, na verdade, são bastantes danosas. Fofoca, por exemplo, é um comportamento que muitas vezes parece banal – é difícil resistir a vontade de repassar alguma fofoca interessante. Porém, se alguém confia alguma informação pessoal a você, não repasse para ninguém. Se o seu intuito não for ajudar, é melhor manter essas informações para você.


Outro comportamento que pode ser muito danoso nesse contexto é o uso das palavras de maneira impensada. É importante manter em mente que palavras podem magoar e ser especialmente agressivas para alguém com questões de saúde mental. Evite palavras como “louco”/”louca”, ou mesmo usar depressão e ansiedade de maneira impensada. As palavras podem magoar.


No fim das contas…


Conversar sobre saúde mental, especialmente no ambiente de trabalho, é bastante delicado. Os limites podem ser borrados e não é claro de quem é a responsabilidade. Para líderes, existem outras ações que podem ser feitas, mas mesmo os colegas podem tomar atitudes que melhorem a saúde mental da empresa. 


Manter uma boa saúde mental corporativa é do interesse de todos: líderes, colaboradores e todas as partes envolvidas. Se cada um fizer a sua parte, seja perguntando se está tudo bem ou criando uma nova cultura de saúde mental, o ambiente de trabalho pode ser mais benéfico para todos – e a empresa também será mais produtiva.

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