Por que está se falando tanto de saúde mental?

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Por que está se falando tanto de saúde mental?

Hoje em dia, qualquer pessoa com acesso à internet já se deparou com o tema de saúde mental. Está nos jornais, nos blogs, em vídeos no Youtube. De alguns anos para cá, o assunto parece que se tornou uma das principais pautas da sociedade. 


Seja sendo tratada como uma epidemia, como um problema governamental ou até como tema em sites de fofoca, a conversa sobre saúde mental está em todo lugar. E isso suscita a pergunta: porque todos estão querendo falar sobre isso?


Existem alguns motivos possíveis que explicam essa guinada na importância desse assunto. Mas, principalmente, as pesquisas cada vez mais mostram números alarmantes.


A saúde mental pelo mundo


Para começar, a Organização Mundial da Saúde afirma que uma em cada quatro pessoas vai sofrer de algum distúrbio de saúde mental durante a vida. É estimado pela OMS que mais de 450 milhões de pessoas sofrem com algum tipo de doença ou transtorno de saúde mental.


A OMS também afirma que 322 milhões de pessoas sofrem de depressão ao redor do mundo. Isso aponta um aumento de mais de 18% em dez anos. Ansiedade também é um problema de grandes proporções. 264 milhões de pessoas sofrem com ansiedade, um aumento de 15% em relação a 2015.


De acordo com o Plano de Ação para a Saúde Mental (PASM) 2013-2020, as desordens mentais representam 13% do total de doenças no mundo. O documento também aponta que entre 76% e 85% das pessoas com problemas severos de saúde mental que vivem em países de baixa e média renda não recebem o tratamento ideal. Mesmo em países mais ricos o índice ainda é alto e varia entre 35% e 50%.


Todos esse números não são só preocupantes pelas pessoas que estão sofrendo com os transtornos, mas também pelo custo que isso gera para o mundo. A OMS estima que, anualmente, os custos associados com transtornos mentais geram uma perda econômica de US$ 1 trilhão mundialmente.


E no Brasil?


Aqui no Brasil, os índices não são menos alarmantes. O Brasil é o país com a maior taxa de depressão da América Latina e uma média que supera os índices mundiais. Nós somos também o país com maior porcentual de pessoas ansiosas do mundo, alcançando quase o triplo da média mundial.


Isso significa que, no Brasil, há um número estimado de 11 milhões de pessoas vivendo com depressão.


Apesar de no Brasil termos mais de 2000 CAPS (Centros de Atenção Psicossocial, unidades do SUS especializados em atendimento na área de saúde mental) e mais de 100 consultórios de rua , a proporção de profissionais da saúde em relação à população ainda é abaixo do ideal. Existe pouco mais de 3 psiquiatras e 12 psicólogos para cada 100.000 pessoas no Brasil; somando todos os profissionais de saúde mental no Brasil, chegamos a um número de 0,3 profissionais para cada 100 pessoas.


O problema para o futuro


Entre os especialistas, não há dúvida que as questões mundiais de saúde mental vão persistir se nada for feito. Um indicativo disso é que transtornos de depressão e ansiedade são muito comuns em jovens. Aproximadamente metade dos transtornos mentais começa antes dos 14 anos


Para piorar, a grande parte dos países com renda baixa e média (e que também possuem a maior porcentagem de jovens na população) conta com apenas um psiquiatra infantil para cada 4 milhões de pessoas.


A adolescência é um período crucial para o desenvolvimento do ser humano. Quaisquer problemas que não sejam tratados nessa fase serão levados para a vida adulta e podem se agravar.


Por isso é preocupante que 16% das doenças das pessoas entre 10 e 19 anos é uma doença associada à saúde mental. Mais alarmante ainda, suicídio é a terceira maior causa de morte entre jovens de 15 a 19 anos.  


E precisamos falar e agir mais.


Considerando todos esses dados, fica claro que é urgente tomar atitudes em relação à saúde mental. E um primeiro passo é justamente conversar mais sobre esse problema. A saúde mental –  e principalmente questões como depressão, ansiedade, bipolaridade e outros – ainda é um assunto envolto em tabu e preconceito.


Quanto mais a sociedade discutir o que é saúde mental, como atingir estados de bem estar psíquico e também como lidar com casos de distúrbios nesse bem estar, mais estaremos preparados para lidar com as dificuldades que se apresentarem. Tanto na vida pessoal de cada um quanto como sociedade, a discussão sobre saúde mental está em alta. Isso porque líderes, instituições e governos estão percebendo o enorme custo que esse problema está gerando, não só do ponto de vista individual, mas também coletivo.


A questão da saúde mental não vai desaparecer de uma hora para a outra. É necessário falar sobre essa tema, sim, mas também agir dentro da nossa sociedade para que, cada vez mais, nós possamos ter uma relação boa com o nosso bem estar mental.

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